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Os irmãos
Studebaker fabricavam carruagens, carroças e equipamentos desde 1852.
Meio século depois passavam a produzir automóveis elétricos, que logo
ganhariam motor a combustão. Em seu tempo áureo, nos anos 30 e 40, a
marca foi a mais dinâmica dos Estados Unidos. Fez sucesso com o
Champion de 1939 e introduziu um dos primeiros carros americanos do pós-guerra,
em 1946: o Champion desenhado por Raymond Loewy e Virgil Exner.
Considerado um dos 100 Americanos Mais Influentes do século XX, Loewy
fora responsável, entre outros projetos, por uma reestilização (em
1954) da garrafa de Coca-Cola que ganhou o mundo e pelo interior do Air
Force One, o avião dos presidentes dos Estados Unidos. Em parceria com
Bob Bourke, desenhou para a Studebaker os modelos Starliner e Starlight
1953, tidos como dois dos mais belos carros que o país já produziu.
Na metade da década, porém, a empresa de South Bend, estado do
Indiana, ia mal. O compacto Lark lançado em 1959 trouxe certo alívio,
mas o mercado saturado de opções logo freou as vendas. A empresa sabia
que precisava diversificar sua oferta para se reerguer. Um novo
presidente, Sherwood Egbert, foi trazido de fora da indústria automobilística
para conduzir o processo.
Egbert gostava de carros e acreditava que a marca deveria produzir um
modelo esportivo e de estilo europeu. Depois de folhear revistas
importadas em um aeroporto de Chicago e rabiscar alguns esboços, em 9
de março de 1961 ele contatou Loewy para que executasse o projeto.
O
desafio foi aceito. Dez dias depois, Loewy estava em uma casa alugada em
Palm Springs, na Califórnia, com três assistentes: seu braço-direito
John Ebstein, Thomas Kellogg e Robert Andrews. Os relógios foram
parados, não havia telefonemas nem esposas -- apenas o objetivo de
projetar, no menor prazo possível, o modelo que pretendia salvar a
Studebaker. Loewy exigiu total liberdade de desenho.
Duas semanas depois saía dali um modelo em clay (argila), em escala
1:8. Egbert aprovou-o e teve início a elaboração da base para um protótipo
de clay em escala natural e outra para o interior. Até então o carro não
tinha nome: alguns se referiam a ele como "carro Q" ou
"modelo X", e o próprio Loewy usara logotipos do Lark em seus
desenhos.
Um dos traços mais marcantes do Avanti era a ausência de grade, ou
entrada de ar para o compartimento do motor, acima do pára-choque, que
contrariava a tendência da época. A Volkswagen alemã adotaria solução
semelhante cerca de 25 anos depois no Passat de terceira geração, mas
que não foi bem recebida -- em três anos o modelo voltava a possuir
grade, como a grande maioria dos carros.
Em South Bend havia correntes pelo uso dos nomes Pierce-Arrow e Packard,
marcas ligadas à Studebaker -- em 1928 e 1954, na ordem. Assim, não se
sabe quem sugeriu o nome Avanti, que significa avante, à frente, em
italiano. Robert Andrews o atribuiu à agência de publicidade DArcy,
enquanto Loewy deu o crédito a Egbert.
Outra dúvida era se o carro seria produzido em plástico reforçado com
fibra-de-vidro ou em aço. Egbert queria a fibra, usada com sucesso
desde 1953 no Chevrolet Corvette -- no que foi apoiado pelo engenheiro
da área da Studebaker, Gene Hardig, pois as linhas sinuosas do Avanti
seriam de difícil produção em aço. Havia também o fator custo:
apesar de mais caras por unidade, as carrocerias em fibra exigiam menor
investimento em ferramental.
Fazia toda a diferença, pois o Avanti teria escala de 1.000 unidades
por mês, bem abaixo das 1.700 a 2.000/mês consideradas viáveis para o
aço. Outra vantagem da fibra era a maior absorção de impactos em
colisões, tornando o carro mais seguro. A fabricação acabou ficando a
cargo da Molded Fiberglass Products Company, de Ashtabula, no estado de
Ohio, a mesma que fornecia para o Corvette.
O engenheiro Hardig insistiu que deveria haver quatro lugares em vez de
dois, como queria Egbert. Outra modificação foi ordenada pelo próprio
Egbert: irritado por bater a cabeça em uma coluna dianteira do modelo
de interior, ordenou que o pára-brisa fosse mais vertical
As formas sinuosas -- como garrafas de Coca-Cola -- das laterais do
projeto original foram suavizadas, os faróis duplos trocados por
simples e as lanternas traseiras modificadas, pois com o desenho
bipartido inicial seria difícil obter perfeição na montagem em
pequena escala.
O modelo em escala natural foi terminado em 27 de abril -- cerca de 40
dias depois do primeiro contato com Loewy! No mesmo dia foi apresentado
à diretoria da marca e aprovado -- fosse pela qualidade do trabalho,
fosse pelo entusiasmo com que Egbert via no Avanti a solução para a
crise da Studebaker.
Loewy e Egbert passaram então aos detalhes internos. Este, bom
conhecedor de aviação, pediu que os instrumentos fossem iluminados em
vermelho, em vez do verde ou branco utilizados à época pela indústria.
Houve também preocupação com a segurança dos comandos, que não
deveriam ser protuberantes ou ofensivos em caso de acidente.
O acerto de Egbert se evidenciaria duas décadas depois: enquanto os
fabricantes redesenhavam seus interiores para atender às novas normas
de segurança, o do Avanti permanecia quase o mesmo. O carro também foi
inovador na montagem do retrovisor interno colado no pára-brisa. Por
outro lado, a fobia de Egbert contra pára-sóis levou os projetistas a
conceberem um modelo compacto e oculto, que servia para muito pouco.
Corte
de despesas Enquanto a Studebaker procurava fornecedores para os
componentes internos, o engenheiro Hardig providenciava os itens mecânicos.
Acostumado à falta de verba da empresa, ele não se surpreendeu com as
exigências de Egbert: o carro deveria ter ótimo comportamento dinâmico,
frenagem, segurança -- mas sem gastar dinheiro.
Era preciso aproveitar o que a marca já produzia. Como a carroceria de
fibra tinha pouca rigidez estrutural, Hardig escolheu o chassi do Lark
conversível e lhe adicionou reforços. A idéia de Egbert de adotar
suspensão traseira independente foi abandonada por motivo de custos. O
Avanti saiu com molas dianteiras do Lark de especificação policial,
feixes traseiros da perua Lark e amortecedores ajustáveis, uma concessão
em nome do comportamento dinâmico.
Para o motor, não havia escolha: apenas o veterano V8 usado desde 1951
e já superado por quase toda a concorrência. Em seu limite prático de
cilindrada, 289 pol3 (4.735 cm3), e com carburador quádruplo, atingia
apenas 225 cv brutos. Hardig adotou taxa de compressão mais alta,
comando de válvulas mais "bravo" e outros recursos, mas o que
salvou o velho V8 foi um compressor centrífugo de acionamento mecânico,
opcional.
O compressor era fornecido pela Paxton, recém-adquirida pela
Studebaker. Sem ele, o desempenho do Avanti era modesto e a marca
preferia omitir valores de potência, que não podiam concorrer com os
monstros de 400 pol3 (6,5 litros) ou mais de Detroit. Só mais tarde
reconheceu que o motor de aspiração natural desenvolvia cerca de 240
cv brutos, e o superalimentado, perto de 300 cv brutos.
O câmbio do Avanti era um automático de três marchas, com a
particularidade de ter a primeira engatada manualmente. Já para os
freios Hardig pediu ajuda à Bendix, que sugeriu um sistema a disco. Mas
a empresa ainda não recebera um pedido oficial até fevereiro de 1962,
três meses antes do prazo estabelecido para a entrega do conjunto.
Na impossibilidade de desenvolver um novo sistema em tão pouco tempo, a
Bendix construiu sob licença discos Dunlop utilizados por anos pela
Jaguar, o que representou o primeiro emprego de discos modernos em um
carro norte-americano. Outras mudanças foram efetuadas para corte de
custos, como as calotas aproveitadas dos Studebakers de 1953 a 1955 e o
acabamento interno. O projeto previa certos revestimentos em Royalite,
produto similar à fibra-de-vidro, que deram lugar a carpete e vinil.
Assim, no início de 1962 surgia o primeiro protótipo do Avanti. No
mesmo dia 26 de abril em que o público o conhecia no Salão de Nova
York, um segundo carro era apresentado à imprensa e aos acionistas da
empresa. Durante apenas 16 dias o mesmo Avanti dourado voou para 24
cidades para ser apresentado a concessionárias.
O carro fez sucesso, mas não estava livre de problemas -- pelo contrário.
O primeiro apareceu com a produção das carrocerias pela Molded
Fiberglass: algumas das mais de 100 peças que as compunham simplesmente
não se encaixavam. O primeiro Avanti saiu da linha de produção em
junho, mas o defeito nunca seria totalmente sanado.
Outra dor-de-cabeça para a Studebaker aparecia semanas depois: o vidro
traseiro podia sair em alta velocidade, devido à baixa pressão do ar
naquela região. Mais tarde o ator Ian Fleming, que deu vida ao agente
secreto James Bond, encomendou seu Avanti na cor preta -- mas esta
oferta, uma dos cinco inicialmente previstas, havia sido cancelada por
destacar as muitas imperfeições da carroceria. Uma concessão, porém,
foi feita ao ator.
Mas o impacto inicial do Avanti esfriava à medida em que os
interessados ouviam, nas concessionárias, que as filas de espera não
tinham previsão de ser atendidas, tamanha a insuficiência da produção.
O Avanti nas pistas Mesmo com compressor, o automóvel não servia para
as corridas -- mas seu formato aerodinâmico era adequado a recordes de
velocidade, devidamente repotenciado. Andy Granatelli, presidente da
Paxton e entusiasta do carro, e seus irmãos Vince e Joe prepararam um
para correr nos famosos lagos salgados de Bonneville, em Utah. Com
cilindrada aumentada para 4,9 litros, o Avanti estabeleceu dois
recordes: 270,5 km/h na milha lançada, em dois sentidos, e 148 km/h na
aceleração de 0 a 1.609 metros (uma milha).
No início de 1963 os projetistas estudavam modificações para o Avanti
1964: faróis retangulares em vez de circulares, melhorias no isolamento
térmico, mudanças no revestimento. Algumas vinham de reclamações de
consumidores ou do próprio uso de Egbert, como a falta de calhas de
chuva, que então foram adotadas. Um acabamento negro com apliques de
madeira passou a ser oferecido.
Mais importante, eram adotados como opções dois novos motores, com
cilindrada de 304,5 pol3 (4.989 cm3) obtida a partir de um diâmetro de
cilindros que deixava suas paredes bastante finas. Um trazia compressor,
o outro carburador quádruplo -- mas apenas nove unidades do primeiro
foram vendidas no Avanti, e do outro, nenhuma.
Para chamar atenção ao lançamento da linha 1964, a Studebaker
preparou novo espetáculo de velocidade, desta vez envolvendo outros
modelos da empresa. Participava também o "Duo Centro", um
Avanti com dois compressores (um para cada bancada de cilindros), injeção
de combustível Bendix, sistema de lubrificação por cárter seco e
radiador de óleo. Desenvolvia cerca de 570 cv brutos e chegava a um
limite de 7.000 rpm.
Ele conseguiu nada menos que 315 km/h no quilômetro lançado. Outro
Avanti, com o motor 289 e compressor, que havia realizado duas viagens
muito rápidas de costa a costa dos Estados Unidos, foi aos lagos
salgados de Bonneville e chegou a 235 km/h com os mesmos motor e pneus.
A Studebaker obteve 72 recordes de velocidade com 12 carros em cinco
dias.
A empresa também ofereceu o Avanti como prêmio em um popular programa
de TV, The Price Is Right, mas nada disso ergueu as vendas do modelo e a
situação da Studebaker. Aos 3.834 exemplares da linha 1963 somaram-se
apenas 809 do modelo 1964. Egbert, com câncer, deixou a empresa em
outubro de 1963 e em dezembro a produção do Lark foi transferida para
Hamilton, Ontário, no Canadá -- e a do Avanti descontinuada.
Ele sobreviveria por décadas, porém, nas mãos de apaixonados por seu
estilo elegante e aerodinâmico.
O Avanti II Nathan Altman e Leo Newman, donos da segunda maior
revendedora Packard-Studebaker dos EUA, queriam manter o Avanti em seu
showroom. Contataram então todos os fabricantes do país -- General
Motors, Ford, Chrysler, American Motors -- sem sucesso. Chegaram a
tentar a Checker, famosa por seus táxis, a que seu presidente Morris
Markin respondeu: "Mr. Altman, como o sr. espera que a Checker
Motors esteja interessada em um carro tão feio?"
Compraram então parte das instalações de South Bend e fundaram a
Avanti Motor Corporation. Renomeado Avanti II, o carro renasceu em 1965,
mas não havia mais motores Studebaker. Foi então adotado um V8 de 327
pol3 (5.367 cm3) do Chevrolet Corvette, bem mais leve, com 300 cv de potência
bruta e 49,7 m.kgf de torque. Com ele chegava a 200 km/h e acelerava de
0 a 96 km/h em 8,8 s.
Chassi, carroceria e suspensão permaneciam quase como antes, mas as
linhas estavam mais alongadas e sutis, com arcos de rodas mais
definidos. No interior, todo remodelado, a variedade oferecida de cores,
materiais e padrões era quase infinita. "É possível que cada um
dos primeiros 250 Avantis II tenham um diferente acabamento
interno", anunciava Altman.
A nova empresa optou por apresentá-lo como um produto refinado e de
produção reduzida -- no máximo 1.000 unidades por ano, o que era a
meta mensal nos tempos da Studebaker. Ferrari, Maserati e até
Rolls-Royce eram citados como concorrentes. Cada Avanti levava em média
1.000 horas de trabalho para ficar pronto e a fase de pintura exigia 12
demãos, que levavam uma semana. "O carro não se move na linha de
produção até que os mecânicos designados garantam que cada ajuste
foi feito e cada componente se encaixa perfeitamente."
Altman também prezava o atendimento. Se houvesse defeito, o proprietário
receberia outro carro enquanto fosse reparado. O comprador era convidado
a retirar um novo Avanti na fábrica ou podia recebê-lo em casa -- não
havia concessionárias. Se desejado, o motor poderia chegar já amaciado
e com o óleo substituído, para que fosse plenamente desfrutado desde a
primeira milha.
O preço, naturalmente, acompanhava a proposta. Por US$ 7.200, o Avanti
II trazia de série ar-condicionado, controle elétrico de vidros, direção
assistida, rádio, pneus de faixa branca, cintos de segurança, painel
com vacuômetro e conta-giros, diferencial autobloqueante e caixa de câmbio
Borg Warner de quatro marchas ou Power-Shift automática. Esta permitia
operação manual, sem pedal de embreagem. Alguns itens podiam ser
removidos com abatimento no preço.
Altman faleceu em 1976, mas seu irmão Arnald, junto de Hardig e Newman,
levou adiante a fabricação. O motor 327 dava lugar, pouco depois, ao
V8 de 305 pol3 (5.004 cm3) usado no Chevrolet Camaro, com 180 cv de potência
líquida e 33 m.kgf de torque, de modo a atender às exigências
federais de menores consumo e emissões poluentes.
O câmbio automático passava a ser um de quatro marchas da GM, com
controle eletrônico e bloqueio do conversor de torque (lockup). A 88
km/h, limite em muitas estradas norte-americanas, o motor girava a
apenas 1.300 rpm em drive.
Nova troca de mãos Em 1982 a oferta de opcionais passava por bancos
Recaro, revestimento em couro, volante de madeira, controle automático
de velocidade, teto solar de comando elétrico e até rádio
faixa-do-cidadão montado no porta-malas. Depois de 2.241 unidades
produzidas, em outubro daquele ano a empresa passava a Stephen H. Blake,
um magnata de Washington D.C.
A primeira providência de Blake foi homenagear os 20 anos do Avanti, em
1983, com uma edição limitada a 25 unidades: a 20th Anniversary
Edition. Os pára-choques envolventes na cor da carroceria não
agradaram aos puristas, mas havia bancos Recaro com revestimento preto e
o logotipo da série nos pára-lamas e na tampa do porta-luvas.
O novo dono também efetuou atualizações mecânicas, como freios
dianteiros a disco ventilado do Camaro Z28, e removeu o "II"
do nome. Em 1983, pela primeira vez em duas décadas, o Avanti competia
nas pistas, na 24 Horas de Daytona. No ano seguinte um câmbio manual de
cinco marchas era introduzido e, em 1985, uma versão conversível.
Uma pintura de alto brilho, similar à dos carros de Fórmula Indy, era
oferecida. Apesar do efeito visual, não resistia à longa exposição
ao sol e descascava com o tempo. Foram afetados 300 carros, cujo reparo
exigia US$ 3 milhões. Depois de produzir 589 unidades, Blake foi à falência.
A empresa mudou novamente de mãos em abril de 1986, passando a Mike
Kelly, que a renomeou The New Avanti Motor Corporation. Kelly era
considerado um herói em South Bend por tentar salvar a marca. O modelo
para o ano seguinte já trazia novidades como chassi GM (dos modelos
Monte Carlo e El Camino) e a oferta de uma versão com entreeixos mais
longo.
O novo dono também efetuou atualizações mecânicas, como freios
dianteiros a disco ventilado do Camaro Z28, e removeu o "II"
do nome. Em 1983, pela primeira vez em duas décadas, o Avanti competia
nas pistas, na 24 Horas de Daytona. No ano seguinte um câmbio manual de
cinco marchas era introduzido e, em 1985, uma versão conversível.
Uma pintura de alto brilho, similar à dos carros de Fórmula Indy, era
oferecida. Apesar do efeito visual, não resistia à longa exposição
ao sol e descascava com o tempo. Foram afetados 300 carros, cujo reparo
exigia US$ 3 milhões. Depois de produzir 589 unidades, Blake foi à falência.
A empresa mudou novamente de mãos em abril de 1986, passando a Mike
Kelly, que a renomeou The New Avanti Motor Corporation. Kelly era
considerado um herói em South Bend por tentar salvar a marca. O modelo
para o ano seguinte já trazia novidades como chassi GM (dos modelos
Monte Carlo e El Camino) e a oferta de uma versão com entreeixos mais
longo.
A produção foi transferida para Youngstown, Ohio, mas não durou
muito: ainda em 1987, após 350 exemplares produzidos, Kelly vendia a
empresa a seu sócio John J. Cafaro, que desenvolvia shopping-centers.
Ela agora se chamava Avanti Automotive Corporation.
Cafaro entendia que o Avanti deveria atender a um cliente mais refinado,
habitual comprador de sedãs Mercedes, BMW e Jaguar. Pretendia vender
350 unidades em 1989, 500 em 1990 e 1.000 em 1991. Em março de 1989 lançava
no Salão de Nova York um Avanti de quatro portas, o Touring Sedan, com
requintes como uma TV no console traseiro.
A pureza das linhas do carro original, porém, havia sido bastante
ofendida. O cupê e o conversível foram mantidos, mas não a versão
longa introduzida por Kelly. Cafaro também procurou a Callaway (ainda
hoje especialista em Chevrolets de alto desempenho) para desenvolver um
chassi em substituição ao da GM, que não seria mais fabricado.
Vitimado pelas exigências governamentais de testes de impacto
(crash-tests) e de emissões, que custavam muito para uma empresa tão
pequena, o novo Avanti durou até 1991, quando teve a produção
interrompida. Com as 297 unidades feitas por Cafaro, o total chegava a
8.120 automóveis.
Um Avanti para o novo milênio Quando o projeto de Loewy parecia ter
mesmo passado à história, surgiu um novo aficionado interessado em
ressuscitá-lo. Em 1995 Jim Bunting convidou Tom Kellogg, que
participara do projeto inicial, para reestilizar o Avanti. Tentou
aplicar a carroceria do clássico modelo a chassis de cupês tão
variados quanto Cadillac Eldorado, Acura Legend, Lexus SC 400, Pontiac
Firebird, Chevrolet Corvette e Camaro. O Firebird foi escolhido pelas
dimensões e formato mais adequados.
O novo carro foi denominado AVX, de Avanti Experimental. Construído na
Langs Custom Auto, de Bill Lang, em Harrisburg, Pensilvânia, o protótipo
ficou pronto em fevereiro de 1996. Entre os desafios do projeto estava
atender às normas americanas quanto aos faróis, que impossibilitavam o
emprego desejado de unidades circulares, como no primeiro Avanti.
Lang encontrou a solução em unidades de reposição para o Jaguar
E-Type. Outras medidas foram retomar as formas dos arcos dos pára-lamas
e das laterais "Coca-Cola" do modelo original. Já a inclinação
do pára-brisa foi alterada para um ar mais moderno e melhor aerodinâmica,
e os pára-choques de lâmina estreita, removidos em favor de unidades
plásticas envolventes.
A saliência no lado esquerdo do capô de 1963 não se aplicava bem ao
AVX e foi substituída por uma tomada de ar. Rodas e pneus foram
atualizados para robustos 235/45 R 17 à frente e 255/50 R 17 atrás.
Jim Bunting pretendia oferecer a transformação em Avanti aos
interessados que submetessem à oficina de Bill Lang um Pontiac Firebird
1993 ou mais recente.
Em 1999, John Seaton -- entusiasta do Avanti que possuíra 70 unidades
desde seu primeiro lançamento -- obteve de Mike Kelly novo investimento
para a fabricação do carro, agora em Atlanta. O ferramental de produção
desativado em 1991 havia sido adquirido e voltaria a construir o Avanti
de forma "tão perfeita quanto as mãos humanas podem fazer".
Unidades de pré-série foram apresentadas nos Salões de Los Angeles e
Chicago de 2000. O motor continuava Chevrolet, mas desta vez o V8 de 350
pol3 (5.735 cm3) do Corvette, com injeção e 330 cv líquidos, câmbio
de seis marchas ou automático. Os freios eram a disco nas quatro rodas
e a direção passou ao sistema mais leve e preciso de pinhão e
cremalheira. Havia duas bolsas infláveis e muito couro no acabamento
interno.
Quarenta anos depois que Loewy e seus assistentes reuniram-se para o
acelerado projeto do Avanti, o espírito e o desenho desse clássico
norte-americano permanecem vivos, passando de mão em mão entre
entusiastas que não querem vê-lo, jamais, como um mero ícone do
passado.
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