www.v8ecia.com.br              Artigo1                     MUSCLE CARS DO BRASIL

(*) Renato Bellote Gomes

Os automóveis sempre influenciaram as pessoas no mundo todo, como símbolo de status, elegância e arrojo. E nada melhor para coroar essa simbologia do que um veículo esportivo, veloz, que traduza em polegadas cúbicas as cifras da conta corrente de seu proprietário.

No Brasil não podia ser diferente, e o país apresentava um mercado carente em esportivos nacionais de alta cilindrada, sendo que os veículos potentes vendidos por aqui eram importados dos Estados Unidos. Mas no início da década de 70, a situação começou a mudar, trazendo boas novas aos amantes da performance, com o lançamento, nos primeiros anos da década, de quatro esportivos que arrepiaram os pêlos do mais cético dos motoristas.

O primeiro da lista é o Opala SS, que em junho de 1970, balançava o mercado com seu motor 4,1 litros de pura diversão. As faixas pretas no capô, assentos individuais e alavanca de câmbio no assoalho o tornaram um ícone de imediato. O volante de madeira de boa pega e o motor vermelho, garantiam emoções fortes ao seu motorista, ou melhor, piloto. O modelo 1972 trazia a carroceria cupê, que o deixou verdadeiramente esportivo, com seu perfil fastback. O modelo traria mudanças mais significativas quatro anos mais tarde, com nova carroceria e o lançamento do motor 250-S, que dispensa comentários. Em 1981, saía de linha, deixando órfãos seus fiéis admiradores.

 

Num outro extremo, os fora-de-série, mas utilizando o mesmo motor de seis cilindros, temos o Puma GTB. As semelhanças terminam por aí, pois o felino tinha personalidade própria e estilo único. Utilizando fibra de vidro em sua carroceria, o GTB apresentava comportamento nervoso em sua condução. O motor levava o bólido aos 170 km/h e, apesar de ser o segundo veículo mais caro na época, a fila de espera só não era maior que a atenção que despertava nas ruas. O modelo foi reestilizado em 1979, com desenho mais sedutor e esportivo, equipado com o motor 250-S, suficiente para levá-lo aos 171 cv brutos de potência, que pediam por uma longa reta, onde o felino pudesse esticar suas garras. A Puma passou por dificuldades financeiras nos anos seguintes, e, após o lançamento de um novo modelo chamado de AMV, fechou suas portas definitivamente em 1990.

Mas quando se acrescentam dois cilindros, a diversão aumenta e a potência também. É por isso que o próximo parágrafo é dedicado a um esportivo que marcou época, e sua sigla até hoje faz tremer o chão por onde passa: RT, road and track, ou, se preferir, pode chamá-lo simplesmente de bólido.

O Dodge Charger R/T foi lançado por aqui no final de 1970, causando impacto no mercado automotivo. Suas linhas esportivas, faróis que se escondiam atrás das grades e cores berrantes sacudiram o país. Mas o mais cobiçado só ficava visível, após serem retiradas as travas de capô, deixando à mostra o coração da fera, um V8 de 318 polegadas cúbicas com maior compressão, que despejava 215 cv de fúria no asfalto, deixando longas listras pretas no chão por onde passava. O volante de três raios e o imenso torque, faziam-no o mais potente esportivo do país. O tanque só aceitava gasolina azul, que era rapidamente devorada, assim como os quilômetros na rodovia. O modelo sofreu algumas modificações nos anos seguintes e foi retirado do mercado em 1980, sem o mesmo brilho e vivacidade dos primeiros anos, quando a Chrysler passou às mãos da VW.

E por fim, temos o Maverick GT, resposta da Ford à altura da concorrência. O modelo foi lançado por aqui em 1974, com linhas que lembravam o Mustang, mas com personalidade própria. O motor V8 de 4,95 litros garantia emoções fortes ao seu condutor, e as faixas pretas e conta-giros sob a coluna de direção, pediam uma tocada esportiva, quase nervosa. O motor de 199 cv oferecia excelente torque e respondia rapidamente aos estímulos no acelerador. O modelo foi produzido até 1979, deixando um vazio no coração dos “veoiteros” de plantão.

 

Enfim, devemos comemorar os 30 anos desses clássicos nacionais, que vêm sendo valorizados cada vez mais nos encontros de automóveis antigos, e ocupam um lugar de destaque no cenário automotivo nacional, seja pela potência dos seus motores ou simplesmente porque representam os sonhos de consumo de uma geração.

(*) Renato Bellote Gomes, 25 anos, é bacharel em Direito